Peneda-1

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Percurso: Cabreiro - Vilela Seca - S. Bento do Cando - Porto Ribeiro - Cabreiro

Distância: 85 Km

Desnível acumulado de subidas: 2200 m

Fora de estrada: 85%

Origem: APV

Comentários:  A serra da Peneda é um local isolado com paisagens imponentes e grandes maciços graníticos. Os pisos são por vezes pedregosos, proporcionando ao betetista algumas das melhores subidas e descidas possíveis de encontrar. Os registos GPS aqui fornecidos cobrem quase totalmente a serra da Peneda desde Porto Ribeiro, perto de Lamas de Mouro, até ao Mezio, perto do Soajo. Os dados acima apresentados referem-se a um dos maiores passeios possíveis mas vários outros passeios mais pequenos podem ser imaginados. Por motivo do piso e do declive, aconselhamos os seguintes sentidos para descer:

 

do waypoint A para o waypoint B,

do waypoint C para o waypoint A,

do waypoint D para o waypoint E,

do waypoint J para o waypoint I,

do waypoint F para o waypoint G,

do waypoint F para o waypoint H (corta-fogo).

 

O passeante encontrará as típicas construções rústicas da Peneda, as brandas, destinadas a ser utilizadas apenas no Verão. Algumas estão em ruínas, outras funcionais e outras ainda transformadas em aldeias permanentes como a Branda das Bosgalinhas. No Mezio há as antas e mamoas Neolíticas para visitar. O vale do rio Ramiscal é um dos pontos interessantes da serra mas a sua travessia, entre Avelar e Lordelo, terá que ser feita a pé durante algumas centenas de metros.

 

Relato: 

"Relato do último dia de Julho último

            Embora os planos para ir no Domingo ao circuito do Alvão fossem interessantes (dar uma lição aos ciclistas da Volta na subida à Sra. da Graça!!) optei por ir no Sábado à Peneda: os desgraçados já tinham outras coisas com que se preocuparem. O Zé escusou-se com a desculpa de ir procurar mobiliário (ou seriam da esposa esses planos?!) pelo que me restou a hipótese de um solo. Às 9h30 já estava estacionado junto à ponte sobre o rio Cabreiro na aldeia com o mesmo nome que fica na estrada que, saindo de Arcos de Valdevez, se dirige para Norte em direcção a Sistelo. Após umas centenas de metros sai-se dessa para outra estrada, à direita, que liga umas pequenas aldeias (Lordelo e outras) já na serra. O asfalto convidou-me imediatamente a subir um desnível de 200 metros em apenas 2000. Rapidamente me dei conta que não chega ver o Lance na televisão para poder adoptar a Sua atitude agressiva na montanha. Assim, pousei o rabinho no selim e preparei-me para vencer os 1100 metros de desnível durante os dezasseis quilómetros que dura. O asfalto ajudou durante a primeira metade e a segunda metade faz-se por um estradão razoável até ao ponto mais alto, quase aos 1300 metros de altitude. Resolvi dividir a subida em duas prestações mais suaves pelo que parei num bosque já conhecido e aproveitei para começar a ingerir uns sacarídeos. No alto, o piso começa a desencorajar os automóveis que se vão vendo por essas bandas e, quando se inicia a descida, começam os pisos interessantes(!!) da Peneda. Em particular, a descida pela branda das Bosgalinhas até São Bento do Cando tem alguns encantos. Já no asfalto, sobe-se e há que decidir entre continuar ou voltar para trás. Como no passado recente, outros tinham argumentado pela segunda hipótese e como, mais para a frente, ficava um corta-fogo que me desafiava há alguns anos, resolvi continuar para Norte e atacar (!) a subida do Alto do Corisco. Os 16 Km anteriores tornavam esta subida mais difícil que em passeios anteriores. No cimo, descansei outra vez para soltar os dedos dos pés que se queixavam do espartilho dos sapatos. O caminho continua numa descida pouco acentuada e termina no dito corta-fogo. “Ataquei-o” de imediato pois não se deve pensar muito nessas situações. O bom-senso é inimigo da adrenalina. Trata-se de uma descida pouco acentuada mas o piso é traiçoeiro com pedras soltas que fazem a traseira andar de lado e a bicicleta dançar como o Travolta em Pulp Fiction. A visão à minha frente não era exactamente a dele mas juro que dancei bem e não desapontei os escafóides. Antes de atingir o asfalto novamente, ainda deu para descobrir um engraçado single-track mas, infelizmente, decorado com ramos de Rubus que me convenceram a levar ao colo a mula durante meia dúzia de metros. O asfalto ainda reservava duas pequenas subidas até chegar a Porto Ribeiro, aldeia a Sul de Lamas de Mouro. Durante a hidratação (3 Fantas bem frescas) a Matemática torna-se um passatempo e começo a pensar que tendo feito 42 Km em “linha quase recta”, todos os teoremas e demonstrações possíveis auguravam, pelo menos, outro tanto no regresso. Outra vez em cima da bicicleta, os músculos mandavam aquela mensagem conhecida: “OK…já chega… vamos para uma esplanada beber uma fresquinha…”. A subida ao Alto do Corisco pareceu-me incomensuravelmente mais longa que a descida (obviamente optei por uma alternativa ao corta-fogo!). O caminho era o mesmo do início da Travessia do Dragão e não deixei de recordar essa nossa aventura nem de rever mentalmente os companheiros que alinharam connosco uns meses antes. Na Peneda as pernas começavam a queixar-se e parei duas vezes para recuperar algum alento. Os trilhos pedregosos foram feitos com menos entusiasmo que em ocasiões anteriores. Do alto começou, então, a descida deliciosamente intragável que já tinha feito várias vezes mas que foi mais penosa devido à quilometragem acumulada. No circuito feito com início em Cabreiro, essa descida em pisos técnicos é duplicada relativamente ao passeio que termina no Mesio. Os últimos quilómetros foram feitos em asfalto, “àbrir”. No fim, o GPS marcava 85 Km, mais de 7 horas de pedal e 2200 metros de subida acumulada. Aconselha-se este passeio 1) a quem queira um desafio físico interessante, 2) aos que estão bem preparados fisicamente e poderão apreciar as magníficas vistas sobre a Serra da Peneda bem como os rebuçados técnicos oferecidos pelo esquecimento a que estes caminhos são, felizmente, votados, e 3) ao Pedro, para levar um incauto consigo e, depois, escrever a sua versão do passeio.

            Cumprimentos deste vosso Major.

RA"

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