I Travessia do Dragão (Abril de 2004)

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Os registos fornecidos contêm algumas alternativas de trajecto em certos locais. Fica ao critério do viajante escolher a sua opção em face do terreno. Como bónus a ligação BTT entre Melgaço e Lamas de Mouro, não efectuada nesta versão, também é incluída.

Local de partida: Lamas de Mouro (Porto Ribeiro)

Local de chegada: Chaves

Distância total: 230 Km

Desnível acumulado de subidas total: 7000 m

Fora de estrada: 90%

Origem: APV

Etapas:
1ª Etapa: 
Lamas de Mouro - Campo do Gerês
Distância: 85km
Desnível acumulado: 2400m


2a Etapa:
Campo do Gerês - Salto
Distância: 70 km
Desnível acumulado: 2400 m


3a Etapa:
Salto - Chaves
Distância: 75 km
Desnível acumulado: 2100 m

Comentários: Esta travessia é caracterizada por uma grande percentagem de pisos muito irregulares, subidas e descidas técnicas e desníveis acentuados, isto é, BTT sem concessões. Não se aconselha o uso de alforges ou de carga excessiva.

A I Travessia de Dragão (I TD), efectuada em Abril de 2004, foi uma experiência memorável a todos os níveis para quem nela participou. Foi realizada sem carro de apoio, quer durante as etapas, quer nos locais de pernoita*. Alguns levaram apenas uma mochila às costas com o mínimo essencial (cerca de 5 Kg de carga) enquanto outros montaram suportes para levar mais alguma bagagem. Ficou provado, no entanto, que menos carga dá mais gozo e menos problemas, quer a subir, quer a descer.

Torna-se difícil descrever a intensidade com que vivemos toda a viagem: a beleza das paisagens, os desafios físicos e técnicos, a camaradagem e o convívio. Nesta primeira iniciativa da APV (Rui Appelberg e José Augusto Pereira) participaram também o Pedro "Indy" Ribeiro, o Zé "Rodas" Rodrigues e o Orlando Lemos. Podem encontrar as notas do Pedro Ribeiro sobre a I Travessia do Dragão no seu site, juntamente com as fotos que o Zé Rodrigues tirou, ou mais abaixo nesta mesma página.

A divisão da TD em quatro etapas também pode ser  interessante, partindo nesse caso de Melgaço e pernoitando em Soajo (ou Paradamonte), Caldas do Gerês e Salto.

* Foi aberta uma excepção, no entanto, para que, no fim da primeira etapa, um dos participantes pudesse receber uma mochila por troca dos alforges e outro pudesse largar alguma carga em excesso :-)

Notas do Pedro "Indy" Ribeiro:

O José Augusto Pereira (JAP) e o Rui Appelberg proporcionaram-me a mais fantástica das jornadas de BTT que alguma vez fiz. O JAP e o Rui convidaram a mim, ao Orlando Lemos (Prof. Lemos) e ao Zé Rodrigues (Zé Rodas) para uma experiência de pedaleio durante três dias seguidos :-) Sabendo o quão difícil seria descrever por palavras tudo aquilo por que passamos, não resisti a fazê-lo enquanto a memória se encontra fresca. Digo-vos desde já que apanhámos quilómetros e quilómetros de subidas e descidas cobertas de pedra de todas as formas e feitios, muito sol, muito vento, muito frio, paisagens do mais belo que alguma vez contemplei, eu sei lá...


OS PREPARATIVOS
O JAP e o Rui tinham avisado de que pouco mais seria necessário levar do que a carteira e a escova de dentes. O percurso iria ser duro e convinha ir leve. Pessoalmente, apesar de levar pouca coisa, resolvi montar um suporte e levar uma pequena mochila nas costas e o resto num pequeno saco no suporte. O Zé Rodas e o Orlando Lemos apresentaram-se de alforges. E o Orlando até um pequeno saco levava no guiador :-) O JAP lá o convenceu a deixar metade da carga mas mesmo assim ainda ficou bem aviado :-)

A PARTIDA
Manhã de 5a feira. A travessia só se concretizou nesta data pois havia previsões de bom tempo para este período. E o céu estava realmente limpo mas a temperatura era bastante baixa. Lá nos despedimos da mulher do Zé Rodas, após uma fotografia da praxe e partimos por uma estrada de alcatrão descendente. Logo ali comecei a aperceber-me de que este passeio nos iria proporcionar paisagens invulgares: a estrada prolongava-se, ziguezagueando num longo vale até desaparecer no horizonte. Fez-me lembrar, salvaguardadas as devidas proporções, uma foto que vi algures na net do Stelvechio, uma das míticas subidas dos Alpes.

A PRIMEIRA SUBIDA
Ataquei-a com precaução. Ia subindo suavemente pela encosta proporcionando uma bela visão de vales que se prolongavam por longos quilómetros. Em breve começámos a observar alguma neve que o sol dos últimos dias ainda não tinha conseguido derreter.

AS PRIMEIRAS PEDRAS
Não demorámos muito a entrar em contacto com aquilo que seria quase uma regra em termos de piso para este percurso: uma descida cheia de enormes pedras de arestas aguçadas onde máquinas e homens eram bastante abanados.

A AVARIA
Teríamos percorrido cerca de 20km desde a partida. Percorríamos então uma espécie de planalto quando o suporte do Zé Rodas partiu. A avaria era grave. Sem um aparelho de soldar :-), apenas com zip-ties, não havia grande coisa que se pudesse fazer. Depois de inúmeras tentativas para resolver o problema a solução foi passar os alforges para o meu suporte que, por acaso, era perfeitamente compatível com estes.

SERÁ QUE ISTO RESULTA?
O peso extra dos alforges provocava um comportamento totalmente diferente da bicicleta. A descida seguinte foi um teste. Havia muita pedra e a traseira tinha perdido muita da agilidade. Mas dava para descer. Seguiu-se uma subida também com muita pedra. Como não era muito inclinada foi relativamente fácil manter a frente no chão, apesar do peso extra na traseira, e a ascensão lá se fez. Portanto agora era só uma questão de força para chegar ao fim da etapa :-)

PEDRAS
Havia sempre muita pedra! Quem já foi aos Carris pode ficar com uma ideia do piso que encontrámos em inúmeras subidas e descidas desta travessia.

A CAMINHO DO SOAJO
Pelas Brandas e Inverneiras (onde é que eu já ouvi isto? ;-) ). Flores amarelas surpreendiam-nos com um estranho mas agradável cheiro a baunilha (??). A descida tinha agora um piso que permitia velocidade elevada. Terminou junto a uma ponte sobre um ribeiro paradisíaco onde vacas e bois que por ali andavam vinham beber por entre as pedras. Entrámos então numa estrada que nos levaria até ao Soajo. Pelo meio ainda um desvio para mais uma subida que nos levaria até mais uma descida radical, ainda que se tivéssemos optado por nos mantermos na estrada o caminho seria mais directo e mais fácil. Mas "facilidade" era palavra que não fazia parte do dicionário deste evento.

A LIÇÃO DE HISTÓRIA
Sentados na esplanada dum pequeno café fomos interpelados por um sujeito com curiosidade de saber a nossa proveniência e destino. Ficámos também a saber que se encontrava a meio duma "cruzada" para restituir à serra que tínhamos acabado de percorrer o seu verdadeiro nome. Segundo ele o nome da serra tinha sido desde sempre Serra do Soajo. Alegava ele que o nome de Serra da Peneda tinha resultado da incompetência ou ignorância dum capitão do Instituto Geográfico do Exército que em tempos tinha andado por ali a fazer uns levantamentos topográficos... (
No Soajo ainda visitamos os espigueiros. JAP)

BATENDO NO FUNDO
A travessia da ponte sobre o Rio Lima, junto à central do Lindoso, assinalou o ponto de cota mais baixa do percurso. Não seriam de esperar facilidades para sair dali ;-)

AGORA É QUE A CARGA INCOMODA
A seguir a Paradamonte seguiram-se uma série de estreitos caminhos ascendentes, de pendente acentuada e com muita pedra e degrau. As pedras eram desta vez bastante polidas e era necessário quase que escalá-las. Aqui o peso extra dos alforges incomodava bastante e era sempre bem vinda uma ajudinha para conseguir ultrapassar um ou outro troço.

UM SINGLE-TRACK DE SONHO
Foi talvez o apogeu desta primeira etapa. Uma descida estreita, pouco visível devido aos arbustos que escondiam uma ou outra pedra traiçoeira. A inclinação era bastante acentuada, convidando a puxar o traseiro bem para trás, e o precipício que a ladeava não era aconselhado a quem sofresse de vertigens, especialmente durante as várias curvas a 180º que era necessário negociar com muuuuuito cuidado. Algumas vezes pensei em interromper a descida mas as coisas foram correndo bem. Ao chegar lá abaixo ainda fomos brindados com mais um trialeira que terminava junto a uma ponte sobre um rio de águas cristalinas.

A CAMINHO DO GERÊS: A VIA SACRA
Passado algum tempo estávamos no asfalto que nos levaria até à barragem de Vilarinho das Furnas e, logo de seguida, a Campo do Gerês onde terminaria esta primeira etapa. A subida ia ser longa, só terminando em Brufe. Inicialmente não houve problema mas à medida que a subida se foi prolongando e a inclinação acentuando o peso extra dos alforge do ZR na minha bicla começou a fazer estragos. Comecei a perder cada vez mais terreno para o JAP e o Rui. O ZR mantinha-se à minha beira para me acompanhar. Não havia maneira de ver o final da subida, nem a olho nem no GPS, e posso dizer que passei neste período os piores momentos de toda a travessia, desesperado, tentando engendrar mil-e-um esquemas que me tirassem daquele filme :-)

GERMIL
Reagrupámos em Germil. Apesar de tudo só tínhamos perdido alguns minutos para o JAP e para o Rui. O Orlando também já vinha com algumas dificuldades. Como, em alternativa à estrada, havia umas trialeiras interessantes antes de Brufe mas onde era necessário subir mais um pouco, achámos melhor dividir temporariamente o grupo. Eu e o Orlando, que também já vinha com algumas dificuldades, optámos por poupar as forças seguindo por estrada calmamente até Brufe onde nos voltaríamos a reunir ao resto do grupo. Foi uma decisão bastante acertada: chegámos calmamente antes deles que ainda por cima vinham bastante cansados daqueles quilómetros de esforço extra.

O FINAL DA 1ª ETAPA
A descida para a barragem de Vilarinho das Furnas fez-se através duma estrada que descia uma garganta rochosa percorrida por um vendaval gélido. Tão forte era o vento frontal que nos obrigava a pedalar apesar da inclinação da descida (!!). A mulher do ZR já estava na estalagem à nossa espera com uma mochila para o marido e uma travessa de aletria para a sobremesa :-) Finalmente ia-me ver livre dos malditos alforges :-) Tomámos um banho retemperador, jantámos uma deliciosa vitela assada mais a aletria da esposa do ZR e a noite não teve muito mais história porque o que o pessoal queria era dormir.

SEGUNDO DIA
Lá arrancámos, após o pequeno-almoço, agora já com o ZR em versão "mochileira". Liberto do lastro do dia anterior ataquei com fulgor o asfalto que nos levaria ao Cabeço da Calcedónia. Neste segundo dia, ao contrário do anterior, conhecia grande parte do trajecto que iríamos percorrer mas nem isso fez esmorecer o meu entusiasmo. Aquelas paisagens são sempre deslumbrantes, independentemente do número de vezes que por lá passarmos. Uma descida rápida e sinuosa levou-nos até perto da vila do Gerês onde atacámos então os cerca de 6km de subida que nos levaram até à Pedra Bela, num percurso semelhante ao do I Passeio de Verão da V@, em 2001.

DO ARADO À PIGARREIA
Estava com saudades de fazer este troço que um dia tinha descoberto por recurso às cartas militares. Depois de passarmos a ponte sobre o rio Arado, perto da respectiva cascata, uma pequena subida levou-nos ao início duma longa descida de paisagens deslumbrantes e com uma parte final extremamente inclinada, cheia de ganchos e terra mole. Infelizmente as zonas técnicas da parte inicial foram removidas devido a alguma manutenção que foi feita recentemente aos caminhos. Em compensação foi possível fazer a descida a maior velocidade :-)

SALAMONDE: MEIA JORNADA
Pequena subida por asfalto até Fafião, descida por terra a alta velocidade até à barragem e mais alguns quilómetros de subida por asfalto levaram-nos a Salamonde. Estaríamos então sensivelmente a meio da jornada daquele dia. As dificuldades não tinham sido muitas. Áquele ritmo iríamos acabar cedo. Parámos algum tempo num café para reforço alimentar antes de atacarmos a 2ª metade do trajecto.

A VACA!
"Ataca!". Era este o grito de guerra do Rui quando uma dificuldade se aproximava. Tipo curioso, este Rui... O cabelo e bigode castanhos claros e um peculiar sentido de humor dão-lhe o aspecto dum fleumático major do exército de Sua Majestade, mas no entanto apresenta certos tiques extrovertidos. Gritos de "Ataca!" ao aproximarem-se subidas difíceis e um olhar esgazeado com baba quase a escorrer-lhe pelos cantos da boca quando se avizinham as "tenebrosas" (falamos das descidas, claro). O Orlando confessou-me ficar apreensivo com estas reacções :-)))) Mas tudo isto a propósito da Vaca. É que o grito do Rui fazia antever dificuldade da grossa... e começou ainda dentro da aldeia, com uma sucessão de inclinadas rampas em paralelo que depois se transformaram em terra, depois em pedra e, finalmente, numa erva mole que prendia as rodas. Tudo isto para nos levar ao Alto da Vaca. Solidariamente toda a gente fez a maior parte da subida "a penantes" (foto1, foto2), com excepção do JAP que deve ter feito uma grande parte montado (
... quer dizer que eu não fui solidário, é isso? :-)... JAP). Raios parta a vaca da subida! :-)

O TALEFE DE NOVO
Ia ser a minha 3ª ascensão ao Talefe (alto da Cabreira) em 4 semanas! Mas desta vez íamos dar uma volta maior, julgando eu que seria por isso mais suave a subida, relativamente à que tínhamos feito no passeio da V@ da semana anterior. Mas em vez de começarmos logo a subir, descemos !!?? Durante a descida, inclusivé, esteve para haver um grave acidente com um cavalo selvagem escondido nos arbustos da berma e que, assustado com a nossa passagem, se atravessou inesperadamente à minha frente :-( E começa a subida. Suave??? Bom piso??? Nada disso! Longa, por vezes inclinada e com um piso intragável, coberto de pedras! Apesar disso sentia-me bem e ia subindo sem grandes problemas. O mesmo não se podia dizer do Orlando e do ZR que não estavam a atinar muito bem com aquela subida. Curiosamente, quando já tinham passado as maiores dificuldades, tive, repentinamente, uma estranha sensação de fome. Não tinha comido nada desde Salamonde. Que erro estúpido, pensei. Apesar de ainda me sentir bem fisicamente resolvi parar para comer algo antes que a situação se agravasse. Só que quando recomecei a pedalar as forças já não eram as mesmas e lá me fui arrastando penosamente ao longo do final da subida (foto1, foto2), assolada por um vento forte e gélido, apesar do Sol brilhante, vento digno duma qualquer tempestade numa região polar. Lá no topo do Talefe, abrigados do vento pela parede duma das construções existentes, descansamos um pouco antes de começarmos a descer. O Orlando e o Rui foram à volta, descendo pelo estradão, enquanto eu fui mostrar ao JAP e ao ZR a descida hardcore do passeio da V@, o que valeu ao primeiro uma cambalhota que teve como consequência um torcicolo e uma dor persistente numa costela :-)

SALTO: O FINAL DA SEGUNDA ETAPA
Antes do final, oportunidade ainda para fazer alguns quilómetros de single-track que teve tanto de belo como de técnico, com as omnipresentes pedras aguçadas. Depois, um estradão que subia muito ligeiramente levou-nos até perto do Salto. No último quilómetro, já dentro da localidade, fomos ainda surpreendidos por um empedrado muito divertido. Pedra até ao último minuto :-)

FEBRE DE SEXTA À NOITE
Apesar de ser Sexta-feira Santa o restaurante da pensão onde ficamos alojados estava apinhado de gente sequiosa, tal como nós, da famosa posta barrosã. A estalajadeira, D. Maria, mulher de um carisma muito especial que mantinha tudo e todos na linha lá ia dando conta do recado. Hilariante e ilustrativa foi a resposta que deu ao Orlando quando este disse que "O que seria bom para a sobremesa seria uma laranja descascada" ao que a D. Maria prontamente respondeu "Pois seria muito melhor se a descascasse você!" :-)))))) Isto só serviu para nos animar ainda mais nessa noite em que por efeitos, talvez, dos néctares do Alentejo estávamos bastante alegres e "desinibidos" ;-) Até a fleuma do Rui se mostrava incapaz de resistir às tiradas do Orlando :-)))) 

TERCEIRA ETAPA
Depois de nos despedirmos da D. Maria, que nos tinha preparado o pequeno almoço e pedido para assinarmos um livro de visitas em estreia absoluta, fizemo-nos à estrada com o Rui já a salivar antevendo as "tenebrosas" que estavam reservadas para esse último dia.

AS TENEBROSAS
E não tardaram em aparecer. E foram tantas que é difícil situá-las no espaço e no tempo. Lembro-me especialmente de duas. Na primeira só desmontamos quando nos apercebemos da loucura que estávamos a cometer e já com o JAP enfiado nos verdes da berma. Era suposto a descida ser muito técnica mas aquilo era demais. Afinal tínhamos apanhado um caminho ligeiramente ao lado do pretendido. O tenebroso trilho correcto estava situado mais abaixo. O que estávamos a fazer tinha-se tornado impossível. O Orlando vinha descendo a pé e murmurando um conformado "Cristo não passou por aqui!" :-) A segunda "tenebrosa" começava com um apertado trilho, quase um without-track, pelo meio de mato denso e depois de alguns degraus e muita pedra tornava-se demasiado inclinado e traiçoeiro para fazer montado, terminando num pequeno vale onde corria um ribeiro de águas cristalinas e onde nas verdejantes margens nos sentamos para descansar e comer algo.

SUBIR PELO PRAZER DA CONQUISTA
É curioso que, apesar do risco de encontro com o "Homem da Marreta", a "organização" nunca deixou por mãos alheias a oportunidade de visitar os inúmeros parques eólicos e marcos geodésicos das regiões por onde passamos. Em duas ocasiões, pelo menos, Armada (alto do Barroso) e Leiranco, deram-se ao luxo de nos proporcionarem mais alguns quilómetros de ascensão só para podermos visitar os respectivos picos, voltando depois novamente para trás. Bem hajam pelo reforço da minha colecção de vértices geodésicos ;-)

O RASPANETE
Em Alturas do Barroso, lembrando-me do descuido com a alimentação no dia anterior, resolvi pedir à senhora do café uma sande de pão de centeio e salpicão caseiros ;-) A senhora demorou algum tempo a prepará-la e quando me preparava para a saborear já quase todos tinham acabado de comer. O JAP, quando se apercebeu, censurou-me: "Ainda agora é que vais comer isso? Estás demasiado acostumado aos passeios do Jorge Moniz!" :-)))))))

NUNCA ULTRAPASSEM OS GUIAS
Após a barragem dos Pisões havia uma longa e cansativa subida. Terminada esta era altura de descer. O piso era bom e a velocidade elevada. Tão elevada que o ZR nem se apercebeu dos gritos do JAP e continuou por lá abaixo, até ao fundo, quando devia ter virado à direita :-)))))

O LEIRANCO
Neste terceiro dia não me sentia com grandes forças. Tinha andado o dia todo a gerir as energias e estava a ficar preocupado. A dificuldade do dia era suposto ser o Leiranco mas já tínhamos feito tanto sobe e desce e nada de Leiranco. Mas ele lá acabou por aparecer. A subida não foi muito inclinada nem teve zonas técnicas, conforme o JAP tinha prometido. Ele, o ZR e o Orlando subiram num ritmo que me pareceu infernal e resolvi por isso deixar-me ir no meu ritmo, com o Rui umas dezenas de metros lá atrás. Depois de alguns quilómetros lá atingimos o topo da última grande dificuldade donde já pudemos observar Boticas e... Chaves!

A DESCIDA
Descer o Leiranco foi um dos pontos mais altos destes 3 dias. A loooongaaaa descida pela encosta era inicialmente apenas perturbada pela densa vegetação mas rapidamente apareceram as... sim, as pedras. Só que desta vez acompanhadas pelos seus colegas buracos e regos :-) Apesar de tudo só o Rui acabou por se encaixar num desses regos e ao fim de algum tempo a descida lá terminou, para grande pena nossa.

OS ÚLTIMOS QUILÓMETROS
Depois do Leiranco não esperávamos nada de especial até Chaves. Mas mais uma vez fomos surpreendidos. Além de bonitos caminhos rurais ainda fomos presenteados com uma série de single-tracks e mais algumas descidas técnicas que só terminaram quando estávamos praticamente dentro da cidade. À nossa espera estava a mulher e a filha do ZR com deliciosas sandes de presunto e pão de Amarante. Congratulamo-nos mutuamente pela excelente jornada que tínhamos acabado de concluir. Pessoalmente sentia-me bem, contemplativo. Efeito das endorfinas, dizem :-) 

EPÍLOGO
Despedimo-nos do ZR e da família mas para os restantes ainda tínhamos alguns kms de estrada para cumprir até ao carro do JAP guardado em casa dos sogros. E depois a mais longa das jornadas: o regresso de carro a Lamas de Mouro para ir buscar os carros que lá tinham ficado. Eu e o Orlando só chegámos a casa pelas 2:00 da manhã de Domingo!

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